Distribuidoras têm metas anuais de descarbonização, e precisam comprar CBIOs para cumpri-las (Foto Divulgação Volvo)

Mesmo com aumento da defasagem nos preços internos, importações seguem acontecendo em volumes relevantes

O mercado brasileiro de combustíveis entra em agosto com perspectivas de folga no abastecimento, sem riscos de suprimento, indica o monitoramento feito pelo governo junto a agentes do mercado e pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Mesmo com o agravamento da defasagem nos preços internos em relação ao mercado internacional, nas últimas semanas, as importações seguem acontecendo em volumes e condições adequados.

No diesel, o derivado mais consumido no país, a previsão é de balanço positivo de 391 milhões de litros no mês – o equivalente a cerca de 10% da demanda.

  • A demanda de diesel A (S10) é estimada em 3,79 bilhões de litros, após dedução do biodiesel;
  • Enquanto a oferta é projetada em 4,18 bilhões de litros – a soma dos 2,75 bilhões de litros de produção doméstica, 1,13 bilhão de litros de importações e 292 milhões de litros de saldo de estoque de julho.

Embora o mercado brasileiro esteja operando com defasagens elevadas nos preços internos – de 47% no diesel e de 23% na gasolina, segundo a Abicom/Stonex – a subvenção ao diesel (inclusive importado) tem contribuído para manter o interesse de traders no mercado brasileiro.

E quanto custa subsidiar os combustíveis? Todas as subvenções aos combustíveis já consumiram R$ 7 bilhões do orçamento, segundo a ANP. A primeira leva, de R$ 10 bilhões para o diesel deve ser praticamente esgotada e outras subvenções foram criadas a medida que a crise de preços se agravou, desde março. 

  • E são justamente nos últimos quatro meses do ano que a demanda por diesel tende a subir, aumentando a exposição ao mercado interno. Sem um reforço no pacote de subvenções do governo federal, o mercado avalia que o país pode voltar a enfrentar um momento de aperto.

Preço do barril cai. Nesta terça (4/8), o Brent caiu 5,26%, a US$ 79,36 o barril. Voltou a ser negociado abaixo de US$ 80 por barril, após recuar mais de 5% na véspera, em reação à declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de que pode haver um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz nos próximos dias.

Não se perca:

A subvenção adicional de R$ 1,12, porém, foi mantida – com duração até setembro – e o acirramento mais recente do conflito no Oriente Médio levou o governo a recuar e a prorrogar por mais 30 dias a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina.

Com as negociações para um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã em junho e o recuo do barril de petróleo desde então, o governo brasileiro começou a retirada gradual dos auxílios adotados para lidar com a crise e, no início de julho, deu fim à subvenção de R$ 0,36 por litro do diesel;

Fonte: Eixos – André Ramalho – 05/08/2026 07:15

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