Lula durante entrevista coletiva à imprensa em Moscou, capital russa, em 10 de maio de 2025 (Foto Ricardo Stuckert/PR)
A resposta do governo brasileiro ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que vai adotar uma taxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto gera temores sobre os preços dos combustíveis.
- O presidente Lula (PT) indicou que pretende responder às tarifas unilaterais com base na Lei de Reciprocidade Econômica.
- Sancionada em abril, a lei permite ao governo adotar medidas de retaliação comercial contra países que adotem barreiras a produtos nacionais.
- O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o decreto regulamentador da lei da reciprocidade será publicado nos próximos dias.
- O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), indicou que vê espaço para negociação, dadas as conversas estabelecidas com o país depois do anúncio das primeiras taxas, em abril.
Também vai ser criado um comitê com empresários para avaliar a política comercial brasileira na relação com os EUA.
- O governo Lula afirma que os impactos sobre a economia brasileira são reflexo de interferências políticas externas indevidas por parte de Trump, em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A calibragem da resposta pode ter sérios impactos sobre o mercado de combustíveis no país.
- O Brasil é dependente de derivados dos EUA, com destaque para o diesel e a gasolina.
- Segundo a StoneX, 34% da importação brasileira de gasolina no primeiro semestre de 2025 veio dos EUA. O país também forneceu 24% do volume internalizado de diesel.
Mais uma vez, o Brasil se encontra em um dilema devido à baixa capacidade de processamento: as refinarias brasileiras não são capazes de atender toda a demanda nacional por combustíveis.
- Por isso, a adoção de tarifas de retaliação vai aumentar os custos de importação dos combustíveis.
Sem as importações dos EUA, o Brasil terá que recorrer a outros supridores, que têm custos logísticos e operacionais mais altos — caso da Europa e da Índia — ou são mais arriscados, como a Rússia.
- O cenário tende a aumentar a pressão inflacionária nos preços e margens ao longo da cadeia de refino e distribuição, segundo o BTG Pactual.
Entretanto, as perspectivas ainda são incertas, já que não há clareza se algum produto pode ficar isento das tarifas.
- As primeiras taxas dos EUA contra o Brasil, de 10%, deixavam de fora commodities.
- Atualmente, o petróleo bruto é o principal produto exportado para os EUA.
- Entretanto, caso o petróleo esteja sujeito às taxas dessa vez, os analistas indicam que não há risco estrutural para o escoamento da produção brasileira, pois é possível redirecionar as vendas para refinarias na China, Índia, Europa e no Oriente Médio.
O Instituto Brasileiro do Petróleo e do Gás (IBP) pediu diálogo entre lideranças brasileiras e estadunidenses para encontrar uma solução diplomática.
Por outro lado, barril tem alívio. O Brent para setembro recuou 2,21%, a US$ 68,64 o barril, na quinta-feira (10/7), impactado pela nova rodada de tarifas impostas por Donald Trump.
- O movimento ocorre em meio a informações sobre aumento de oferta pelos Emirados Árabes Unidos e a uma possível pausa no aumento da produção pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).
- Entretanto, o CEO da estatal Nigerian National Petroleum Company, Bayo Bashir Ojulari, afirmou que o país busca ampliar sua capacidade de produção. Ele salientou que qualquer decisão será tomada em conexão com a Opep+.
Petróleo brasileiro em alta. O Brasil está entre os maiores impulsionadores do aumento de oferta e demanda de petróleo no mundo nas próximas décadas, segundo relatório divulgado na quinta (10/7) pela Opep.
- O país, que já é o oitavo maior exportador global da commodity, deve ver sua demanda saltar de 3,4 milhões de barris/dia em 2024 para 4,8 milhões de barris/dia em 2050, impulsionado principalmente pelo transporte rodoviário e pela aviação.
FONTE: EIXOS
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